Como avaliar um mapa de conceitos?

Mapas
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Mapas de Conceitos

Avaliar conhecimentos através da análise de mapas de conceitos ou de mapas mentais não é propriamente a tarefa mais linear, mas é uma tarefa desafiante e enriquecedora.

Comece por colocar as suas próprias questões acerca do mapa mental. Seria bom que o fizesse mesmo antes de iniciar a sua construção. Contudo, atendendo à flexibilidade de construção que a maioria das ferramentas apresenta, se tiver colocado alguma ideia descontextualizada no mapa, poderá reorganizá-la a qualquer altura.

Questões pertinentes

  • A que público se dirige o mapa mental e que informação é necessário dar-lhe? Que implicações decorrem da forma como a informação é apresentada no mapa?
  • Os temas e subtemas estão bem organizados e agrupados logicamente? Imagine que nunca viu um mapa mental. Será que o mapa permite compreender a mensagem que pretende comunicar?
  • Foque-se nos primeiros tópicos do nível superior do mapa mental. Há um fluxo lógico a partir do topo central, desenvolvendo-se no sentido dos ponteiros do relógio, desenhando um percurso em forma de círculo?
Mapa mental
Organização dos conceitos num mapa cognitivo.

Apesar da lógica de desenvolvimento dos tópicos A, B e C, Os subtópicos An não estão organizados de forma lógica. O mapa deve ler-se no sentido dos ponteiros do relógio!

  • Analise cada ramo do seu mapa e interrogue-se: Este ramo está completo ou precisa de subtópicos adicionais para ficar mais completo? O que é que falta acrescentar? O que é que soa a estranho e deve ser removido? O que é que precisa de ser clarificado?
  • Serão necessárias imagens, símbolos ou ícones para que o mapa mental ganhe significado e seja mais bem contextualizado?
  • Os ícones e símbolos estão utilizados de forma consistente, legendados de forma a ajudar a entender o que significam?

Os símbolos são convenções e podem não significar o mesmo para todos. Se usar símbolos, certifique-se que não criam equívocos ou que a sua convenção é reconhecida e aceite.

  • Que recursos externos (ficheiros, pastas, links, mensagens) poderiam ser usados? Como poderiam ser acedidos a partir do mapa?

Na generalidade dos editores de mapas mentais é possível ligar ficheiros externos.

  • Qual é a extensão do texto dos tópicos? Se tiver muito texto num tópico, pode considerar a utilização de um ficheiro externo e apresentar esse tópico apenas com uma expressão ligada ao recurso externo.
  • O que é que quer enfatizar no mapa? O que é que quer que seja observado em primeiro lugar? Considere utilizar cores para definir agrupamentos de temas e subtemas para lhes conferir ênfase visual.
Mapa Mental
Mapa mental organizado logicamente, utilizando cores para agrupar conceitos derivados.
  • Se puder, afaste-se por algum tempo do seu mapa antes de o concluir. Depois volte a editá-lo. Se conseguir melhorá-lo significativamente, faça-o, senão considere-o concluído. O tempo ajuda a modificar a perceção de conceitos. Quando voltar, terá que reconstruir mentalmente todos os conceitos mapeados. Esse exercício ajudará a avaliar o mapa.

Veja algumas propostas de rubricas para avaliar mapas de conceitos ou mapas mentais no artigo “Rubricas Para Avaliar Mapas Mentais”

Rubricas para avaliar Mapas Mentais

Mapas
Mapas

A avaliação de mapas mentais ou de mapas de conceitos (também mapas cognitivos, mapas conceptuais), pode beneficiar da aplicação de técnicas baseadas em rubricas. Abaixo, propomos diferentes soluções. Inspire-se!

Duas propostas para uma avaliação holística de Mapas Mentais

Uma rubrica é um documento que articula as expectativas de resultado de um trabalho, enumerando os critérios de cada dimensão a analisar, ou seja, o que é mais importante em cada dimensão, e a descrição dos níveis de qualidade ordenados de excelente a fraco. Este tipo de instrumento de análise e avaliação adequa-se bastante bem à avaliação dos mapas mentais. De seguida, apresentam-se duas propostas de avaliação, considerando dimensões holísticas distintas. É óbvio que a temática não se esgota nestas propostas, podendo aceitar-se a construção de outras grelhas ou da combinação destas.

1. Dimensões: Abrangência, Organização e Correção

Dimensão Excelente Muito bom Bom Fraco
Abrangência (amplitude do conhecimento, foco e ênfase) O mapa define completamente a área do objeto. Todos os tópicos e subtópicos, estão representados no mapa. O mapa está completo, mas falta um ou dois elementos menos significativos. O mapa tem uma representação adequada de cada tópico tema e subtópico, mas demonstra um conhecimento básico sobre o tema. Há elementos significativos que não estão representados no mapa.
Organização e layout (colocação e definição dos ramos) O mapa está bem organizado, há integração de elementos adicionais e temas ligados apropriadamente. Utiliza loops de feedback[1]. A estrutura dos ramos é sofisticada. O mapa tem organização adequada com algumas derivações e elementos adicionais. No entanto, apesar de haver ligações entre elementos ainda faltam alguns. O mapa está organizado com um número limitado de ramos, nós e elementos adicionais. O mapa é constituído por um número mínimo de elementos, dispostos apenas ou predominantemente de uma única forma, por exemplo, linearmente.
Correção (exatidão e validade da informação) O mapa integra elementos cientifica e intelectualmente corretos e reflete uma compreensão exata do assunto, sem equívocos. O mapa tem algumas imprecisões no assunto. A maioria das ligações está correta. O mapa tem algumas imprecisões no assunto, mas não são fundamentais. O mapa é ingénuo e contém equívocos de conhecimento relacionado com o assunto. Utiliza termos inadequados.

Rubrica adaptada de Mary Besterfield-Sacre et al. (2004) e de Robbie O’Connor (2011)

Loops de feedback são entendidos como laços que ligam conceitos posteriores a conceitos prévios no mesmo tópico ou subtópico

2. Dimensões: Estrutura, Exploração, Comunicação, Ligações e Amplitude
Esta proposta atenta mais no aspeto formal do mapa mental do que o modelo anterior. No entanto, agrega os mesmos itens.

Dimensão Nível 4 Nível 3 Nível 2 Nível 1
Estrutura As ideias fornecem um quadro completo com alto grau de imaginação e de criatividade. As ideias irradiam do centro formando uma imagem clara que envolve imaginação e criatividade. Algumas ideias irradiam do centro mas não são adequadas ao tópico. Poucas ideias irradiam do centro. Não é muito claro.
Exploração Há indicação clara e altamente eficaz de conexão entre as ideias e o conceito central As ideias estão dispostas por ordem de importância, da mais complexa para a mais simples. Algumas ideias estão conectadas da mais complexa para a mais simples. As ideias não estão ligadas, partindo da mais complexa para a mais simples.
Comunicação Boa perceção do tema usando de forma muito eficaz palavras-chave e imagens, contribuindo para uma compreensão profunda do assunto. Adequada utilização de palavras-chave, imagens e conceitos ligados ao tema central. São usadas palavras-chave. Há uma compreensão média de assunto. Utilização limitada de palavras-chave. Algumas imagens ou conceitos não são adequados.
Ligações Utiliza eficazmente cores, códigos ou links para fazer conexões entre ideias significativas. Utiliza claramente as cores, códigos ou links para mostrar as conexões entre as ideias. Há algum esforço para utilizar cor, códigos ou links para mostrar as relações entre ideias. Pouca ou nenhuma utilização de cores, códigos ou links para mostrar as relações entre ideias.
Amplitude O esforço para conectar o conjunto das ideias principais é altamente eficaz. O esforço para conectar as ideias principais é adequado. É visível um bom esforço para conectar o conjunto das ideias principais. Esforço limitado ou ineficaz para conectar o conjunto das ideias principais.

Rubrica baseada em Jane Witte (2008).

Uma proposta de avaliação métrica tradicional de Mapas Mentais

Este “tipo” de avaliação pode ser útil para a familiarização com as técnicas de criação de mapas mentais, principalmente para os mais inexperientes.

Dimensão Nível 4 Nível 3 Nível 2 Nível 1
Estrutura As ideias fornecem um quadro completo com alto grau de imaginação e de criatividade. As ideias irradiam do centro formando uma imagem clara que envolve imaginação e criatividade. Algumas ideias irradiam do centro mas não são adequadas ao tópico. Poucas ideias irradiam do centro. Não é muito claro.
Exploração Há indicação clara e altamente eficaz de conexão entre as ideias e o conceito central As ideias estão dispostas por ordem de importância, da mais complexa para a mais simples. Algumas ideias estão conectadas da mais complexa para a mais simples. As ideias não estão ligadas, partindo da mais complexa para a mais simples.
Comunicação Boa perceção do tema usando de forma muito eficaz palavras-chave e imagens, contribuindo para uma compreensão profunda do assunto. Adequada utilização de palavras-chave, imagens e conceitos ligados ao tema central. São usadas palavras-chave. Há uma compreensão média de assunto. Utilização limitada de palavras-chave. Algumas imagens ou conceitos não são adequados.
Ligações Utiliza eficazmente cores, códigos ou links para fazer conexões entre ideias significativas. Utiliza claramente as cores, códigos ou links para mostrar as conexões entre as ideias. Há algum esforço para utilizar cor, códigos ou links para mostrar as relações entre ideias. Pouca ou nenhuma utilização de cores, códigos ou links para mostrar as relações entre ideias.
Amplitude O esforço para conectar o conjunto das ideias principais é altamente eficaz. O esforço para conectar as ideias principais é adequado. É visível um bom esforço para conectar o conjunto das ideias principais. Esforço limitado ou ineficaz para conectar o conjunto das ideias principais.

Traduzido e adaptado de ALTEC (2007).

ALTEC. (2007). Making a Map: Mind Map Rubric. Rubistar. http://rubistar.4teachers.org
Besterfield-Sacre, M., Gerchak, J., Lyons, M., Shuman, L. J., & Wolfe, H. (2004). Scoring Concept Maps: An Integrated Rubric for Assessing Engineering Education. Journal of Engineering Education, 93(2), 105-115.
Frey, C. (2011). 10 questions to assess the quality of your mind maps [Web log post]. http://mindmappingsoftwareblog.com/10-questions-to-assess-your-mind-maps/
O’Connor, R. (2011). The use of mind maps as an assessment tool. Paper presented at the International Conference on Engaging Pedagogy 2011 (ICEP11) NCI, Dublin, Ireland, December 16, 2011, Dublin.
Witte, J. (2008). Food for Life (2nd Ed.). Ontario: McGraw-Hill Ryerson.

Este artigo é complementado pelo artigo “Como Avaliar um Mapa de Conceitos?”